[Ensaio a partir do filme Verão Eterno, de André Trindade e Filipa Cordeiro]

Verão Eterno (Endless Summer), foi filmado durante uma estadia de seis meses em Santa Cruz de Cabrália (Bahia), Terra Mater da colonização portuguesa na América Latina. Estreou a 19 de Setembro de 2013, na galeria Lumiar Cité-Maumaus(Lisboa).

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Video still “Verão Eterno” — CGI por David Negrão

1. O DES(EN)COBRIMENTO PELA TÉCNICA

O processo fundamental da modernidade é a conquista do mundo como imagem. (Martin Heidegger)

A consequência maior do sistema é a de fazer esquecer tudo o que lhe escapa. (Jean-François Lyotard)

Um milénio após a chegada à terra de Vera Cruz (Brasil) e da subsequente…


– da génese de uma modernidade assombrada à obra de Harun Farocki

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Harun Farocki, Eye/Machine I (2000)

Rui Matoso| agosto 2014

Escola Superior de Teatro e Cinema / Instituto Politécnico de Lisboa

ECATI/CICANT– Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

RESUMO

Talvez nunca como hoje o dictum de Paul Klee, «a arte não reproduz o visível, torna visível»1, tenha ganho um sentido tão material e concreto. As práticas artísticas contemporâneas, cujas táticas se fundamentam numa ideia de arte constitutivamente política (Agamben2), vêm-se ocupando do invisível enquanto substrato operativo e fantasmático produzido pelas tecnologias visuais emergentes. A carta de Gilbet Simondon a Jacques Derrida, datada de 3…


Rui Matoso | Agosto 2020

Em memória de Bernard Stiegler (1 de abril de 1952–6 de agosto de 2020)

«A nossa época é caracterizada como uma tomada de controlo do simbólico pela tecnologia industrial, onde a estética se tornou tanto a arma quanto o teatro da guerra económica.O resultado é a miséria, onde o condicionamento toma o lugar da experiência.» (Bernard Stiegler)

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Vdrome

O pensamento e a discussão em torno das políticas e das práticas culturais em Portugal é atavicamente ancorado em dois ou três assuntos recorrentes e com maior notoriedade naquilo que se designa como política das artes, e, em…


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Manifestação 25 Abril / “They Live” (1988, John Carpenter)

Diante de um século globalmente distópico e em sociedades altamente complexas e de risco, como aquelas em que vivemos actualmente devido à pandemia (Covid-19), surge a necessidade de olhar para a história como sugere a pintura de Paul Klee (Angelus Novus) para melhor nos confrontarmos com a turbulência do futuro.

O facto, e o fardo, de vivermos num mundo governado por ideias e projectos políticos neoliberais tem-nos colocado quase sempre em posição de condicionamento. 46 anos depois do 25 de abril estamos mais afastados do ideal proclamado nas canções de intervenção.


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Foto: Marta Tomé | O Corpo da Dança (março, 2020)

1. Circunstâncias

A característica intempestiva dos tempos que vivemos traz-nos à memória as considerações de Friedrich Nietzsche sobre a história, mas também as de Giorgio Agamben quando este nos relembra que sermos contemporâneos deste nosso tempo — fatalmente marcado pela pandemia do coronavírus e pelo estado de emergência — significa mantermos uma certa dissociação e uma distância crítica da actualidade.

Apesar do sofrimento colossal presente na vida colectiva e do esforço sobre-humano dos profissionais de saúde, ser contemporâneo desta época é, por um lado cooperar para o bem-estar de todos, mas, por outro, manter uma posição não coincidente com as pretensões e…


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Por um lado, salienta-se que o fundamental num processo de descentralização cultural está para além de promover o contacto das populações, meramente pontual e casuístico, com atividades culturais exteriores — leia-se, a descentralização deve ultrapassar as políticas do “acesso” e a mera democratização da cultura cujo paradigma reside na acessibilidade da cultura legitimada.

Em Portugal, à semelhança dos países com um historial de tradições autoritárias, a ideia de descentralização não encontra raízes profundas, porém, segundo afirmam os historiadores, o país possui uma longa tradição municipalista, democraticamente consagrada na Constituição da República Portuguesa de 1976 (CRP).

No âmbito das políticas públicas…


An essay for a photography exhibition made by Carina Martins, at the Lisbon gallery, Galeria Diferença, curated by Rui Ibañez Matoso.

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Physis (2019), Inkjet prints on Hahnemühle Fine Art Baryta paper (100x67cm)

When humanity became accustomed to dominating nature, and to manipulating it as a means to achieve certain ends, it has forgotten itself. And this “forgetting” remains to this day as a symbol of anthropocentric violence exerted on the planet.

If on the other side of the mirror, or in the unconscious, there is still a trace of the primordial communion with the cosmos, the metaphysics of both the divine and the transcendental successfully multiplied on this side, while the…


Publicado originalmente em Jornal Público: https://www.publico.pt/2019/09/27/culturaipsilon/opiniao/esperteza-ps-ultrapassagem-1-cultura-1888162

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No âmbito das propostas eleitorais no domínio da cultura, estas eleições legislativas ficam marcadas por uma questão percentual inédita. Até há bem pouco tempo, uma das principais exigências dos agentes culturais situava-se na luta do 1% para a cultura, reafirmando de forma bastante persistente a exigência de se afectar 1% do Orçamento de Estado ao Ministério da Cultura, visando alcançar gradualmente 1% do PIB para a cultura.

Agora, numa espécie de golpe de mágica, o candidato e primeiro-ministro do PS, António Costa, tira mais uma surpresa da cartola e anuncia no programa eleitoral o…


“What capitalizes capital is semiotic power.”

Felix Guattari (The Molecular Revolution)

The cultural field, like any other field, we must not forget, is crossed by forces of domination and power that act in various social spaces, with great prominence in the state apparatus and public administration itself.

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Damien Hirst, Lullaby, the Seasons (2002) -part

If we understand that a public cultural equipment (theater, museum, etc.) represents the historical materialization of a certain kind of cultural institution (material and symbolic, spatial and semiotic) — as old as the Greek théatron — we can say that everything that we previously refer belongs to the cultural sector. Why? …


Artistic freedom today should be tied to a different ideological project: an exploration of a principled fundamental democracy in which the imaginative force of art is a primary tool do defy rather than secure democratist monopolies of power. Jonas Staal

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Thomas Hirschhorn, Gramsci Monument (2013)

No decurso das primeiras vanguardas, designadamente do dadaísmo, desenvolveram-se práticas artísticas sustentadas pela vontade de transformar as estruturas sociais, aproximando arte e vida num mesmo plano através de estratégias de arte crítica e política.

A história da arte contemporânea é prolixa na diversidade e intensidade de acções e processos que visam alterar a correlação de forças e poder no campo…

Rui Ibañez Matoso

Rui Ibañez Matoso is a researcher on new media and post digital technologies, ecological systems and cultural policies. (//culturavivaruimatoso.wordpress.com)

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